Prestige
Segredos como sacrifício. Magia, o engano, o enganador e o enganado. A consequência dos meios e dos fins. Vítimas dos nossos atos.
Vida pelo espetáculo ou espetáculo pela vida? O prestígio está em transcender pela arte:
Artistas, assistentes e métodos. Um risco, fio condutor, a corda.
Começando por trabalhar em dupla, conhecerão o risco associado ao desejo de elevar a sua arte, e qual é o valor do «objeto ordinário», antes e depois do jogo virar. No terceiro ato dessa noite, este objeto não terá tanta sorte como os «outros». Entre ser o sortudo e o sacrificado, haverá valor dentro da caixa? Troques que não conseguimos controlar, são nós que não que não devem ser feitos, não quando a tinta da nossa arte é o sangue de outrem.
Um evento canónico que nos leva ao segundo ato da vida destes dois mágicos devotos. Para o que perdeu o seu coração, o amor humano cede lugar ao amor mágico, ainda que aos poucos, não suje as mãos, ficamos a saber se é capaz de o fazer. A resposta acompanha uma escalada competitiva, decorrendo nela uma progressiva inversão de papeis, em que o que perdeu «ganha» prestígio sem moral e o «derrotado» se transporta para fora do seu troque, sacrificando-se pelo segredo de viver. Não sabemos de que vida se trata, apenas a mística que adorna este e todos os outros sigilos, e é essa a chave que nunca vemos, por sermos o cego que a possui.
Os peões entram em palco, os holofotes focam a sua beleza, queimada para distração do público. Vidrada no fogo, fica a plateia alheia a todo o trabalho de bastidores e a tudo que acontece durante «a troca», onde a vida e a magia são duas linhas turvas que se cruzam, formando a ambiguidade onde vivem aqueles que fazem do secretismo o seu método. Em que momento fica a sua vida real, antes ou depois da mudança? Como objeto inalterado ou extraordinário?
O que aparecerá para lá do prestígio? Haverá espaço, para consentir o que dividir de nós com quem já há muito se dividiu? Responder a isto é um ato negocial vitalício. Estão a ler com atenção?