Affeksjonsverdi
Dos Borg para o público, qual o valor de um copo rachado se não sentimental? Como pode a arte preencher esse espaço? A arte e o valor dos sentimentos que ela transmite.
Arte familiar imperfeita:
Pai, criança que perdeu a mãe para os horrores da guerra... Mãe torturada, o que a fez carregar para o resto da vida os impactos do que sofreu, danificada, tornada fria e por estes conduzida ao suicídio. O que será do filho daí em diante? É o que vemos, um artista das sombras, que se tornam o seu refúgio e moldam o que ele é e a forma como vive com o mundo e o realiza. Mais velho, a vida leva-o á sua futura esposa, uma psicóloga, ironicamente.
Ela conheceu-o como paciente, ele inventava problemas psicológicos. Seriam estes apenas inventados? Futuros conflitos indicam que não, são sombras na arte e na vida. Nascem as filhas, duas irmãs abrigadas num lar sombrio, sombras que toldam a relação dos seus pais. As irmãs crescem, veremos como essa escuridão fará parte delas e das suas vidas, na atuação e na história realizada, atuada e arquivada, bem como na geração nascida de uma das irmãs.
Uma obra, duas intérpretes. A primeira, movida pelo que viu realizado pelo pai e protagonizado pela sua filha, entende o valor sentimental do que está no «papel», sendo espectadora e participante. A segunda, abandonada em palco pelo pai, palco em que vemos o que esse abandono a faz tornar-se e o que traz á sua vida.
O autor regressa á casa que deixou, quando a sua esposa falece, tentando mostrar que apesar da sua ausência, nunca deixou de «ver» e valorizar o que abandonou.